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Marketing Brasileiro

Depois de 30 anos, resolvi voltar a viajar de carro pelo País, de São Paulo, onde moro, até uma casa que tenho próxima a Arembepe, na Bahia. Com uma ideia simples de redescobrir essa parte do Brasil, que décadas atrás conheci, através de uma viagem semelhante. Essa viagem me causou um impacto tão grande que resolvi trazer, nesse texto, mais um olhar de um Brasil de muitos Brasis. Passei os últimos 20 anos viajando duas vezes por ano para o exterior, a trabalho ou turismo, e viajando muito pouco pelo nosso País. Foram 2100 km em dez dias e, se tivesse que escolher uma manchete, seria: “Brasília não é Brasil”. Quero dizer que não sei exatamente porquê, mas aquela representação não corresponde ao Brasil do mundo real. Temos um país maravilhoso, lotado, abarrotado de oportunidades. Precisamos trabalhar para desatar os nós da burocracia, acabar com essa economia de estado, lutar para a diminuição de gastos e estimular a concorrência do sistema financeiro para que se perpetuem taxas de juros de primeiro mundo. Se isso acontecer, o Brasil terá, como a Austrália, duas décadas ininterruptas de crescimento econômico e distribuição de renda, proporcionado pelo espírito empreendedor de nosso povo, ou seja, por nós mesmo, sem que governos nos atrapalhem. Naveguei pela BR101 passando por Resende, Campos, Guarapari, Itamaraju, Canavieiras, Ilhéus, Feira de Santana até chegar em Arembepe. Darei pílulas de destaque em cada passagem, com comentários de uma percepção por um olhar primário. Naturalmente estimula uma visão de marketing, competências, talentos, estratégia ou falta dela, oportunidades visíveis etc. Resende: Vi uma cidade que se reinventa e melhora por meio da economia do seu entorno. As indústrias na região geram emprego e renda e a cidade conseguiu não virar um município industrial. Ao lado de Penedo, no caminho de Visconde de Mauá, vem se tornado uma cidade interessante para morar. Condomínios, restaurantes excelentes, um comércio próspero. A economia do entorno fez e faz a cidade melhorar. Campos: Feia. Achei-a confusa, com cara de onde corre muito dinheiro, mas que não se descobriu como cidade. Grandes empresas atuam na região, como Petrobrás e Furnas, e ainda existem algumas empresas no segmento açucareiro, porém, mesmo com muito dinheiro circulando, ela passa a sensação de que não derrama em nada para a sua população. Guarapari: Cidade protótipo de uma Copacabana decadente. Suja e apinhada de prédios sobrepostos, um horror urbanístico, aparentemente local de um turismo sem valor agregado, porém com praias lindas, uma gastronomia de todo tipo e minha experiência foi maravilhosa. Voltei lá depois de 32 anos. Que estrago, pelo menos ao meu olhar. O que fizeram com a linda cidade que era uma promessa décadas atrás? Tem solução futura? Itamaraju: Cidade que fez parte de minha história quando fui executivo de uma exportadora de cacau. Voltei 30 anos depois de minha última estadia por lá. Continua parada no tempo, mais limpa, e com nova vocação econômica: agora a pecuária protagoniza. O mais impressionante foi a Pousada de Charme que fiquei, chamada Vista da Pedra. Nela uma surpresa incrível: o Chef Jairo, apontado no Booking.Com como maravilhoso, diria que excepcional. Tanto que fiz questão de conhecê-lo e ouvir sua história. Depois de passar por São Paulo e Goiás, retorna a sua cidade para exercer seu ofício por lá. Comi o melhor Risoto de Camarão de minha vida. Todo lugar tem gente brilhante que nos dá esperança. Canavieiras: Parada no tempo por opção. Disseram-me que sua população prefere não ter a estrada litorânea estadual que chega até Belmonte partindo de Porto Seguro, o que torna difícil chegar lá. A tal estrada é interrompida pelo Rio Jequitinhonha que separa as duas cidades. Para chegar lá só pela BR101 e entra na estrada estadual sofrida e linda. A relação com o tempo é onde começa o que há de melhor. Alugar um barquinho e com ele navegar pelo rio e seus manguezais de uma cidade para outra. Uma experiência que tive como poucas na vida. Fiquei na pousada de um suíço, Felix, que optou empreender lá há anos atrás e tem um dos lugares mais charmosos de todo litoral brasileiro, onde andei por 10K sem encontrar uma viva alma. Sabe quem por lá ficou? Al Pacino, o Rei e a Rainha da Suécia (ela brasileira, Rainha Silvia), que contaram com o “anonimato” total. Al Pacino também alugou meu barquinho e navegou pelos rios. Ambos, o rei e o ator, estavam lá pois é um dos pontos mais procurados de pesca de marlin do mundo, você sabia? E será que estão certos em manter esse distanciamento do progresso? Vi pessoas felizes e bem resolvidas. Belmonte: Cidade parada no tempo como Canavieiras, onde o dia que passei pareceram dois. O tempo é lento, as pessoas, o almoço, tudo é sensacional, especialmente o restaurante Taverna, padrão altíssimo de qualidade, com a moqueca de peixe com camarão digerida com tempo. Assim como Canavieiras, vive sem a tal anciã por “progresso” ou o estereótipo de progresso. Ilhéus: Terra de Gabriela e seu Nacib, relatada pelos livros do escritor mais traduzido em várias línguas no mundo, Jorge Amado. Cidade linda e acabada. Triste! Como pode? Deveria ter turista do mundo inteiro, todos os dias do ano. O dinheiro que correu por lá em um século de cacau deveria ter deixado um legado, universidades, povo rico e muito desenvolvimento. Era para ser uma cidade rica e é pobre, por que? Feira de Santana: Surpreendeu-me. Tinha uma memória de Cidade-Empório-Industrial, suja e violenta, com trânsito horrível. Ao contrário. Soube que depois de várias boas gestões virou um El Dourado de progresso, com avenidas enormes, boas escolas, inclusive bilíngues, bons restaurantes e um conjunto de empresas de serviço, indústria e comércio, fora um agronegócio muito forte. Para mim uma grata surpresa. Arembepe: Povoado que nas décadas de 60 e 70 foi uma aldeia hippie (ainda existe os resquícios dela), por onde passaram Janis Joplin, Mick Jagger e hoje é um ponto de pescadores. Só isso deveria transformá-la em um ponto turístico qualificado. É feia e linda ao mesmo tempo. Esses pequenos descritivos de cada local que passei não tem por propósito contar sobre uma viagem, porém trazer olhares quase fotográficos e momentâneos. Olhares que traduzem oportunidades de vida e negócios, que traduzem erros de ontem que geram problemas hoje e, consequentemente, a reflexão sobre quais erros estamos cometendo hoje que impactarão o futuro. Traz um olhar sobre brasileiros talentosos, como o Chef Jairo ou já brasileiro-suíço Felix. Um olhar sobre como temos um outro padrão de gastronomia. No passado só tínhamos pizzarias e churrascarias Brasil a fora, hoje esse cenário mudou. Fora a beleza de cada cidade, cada uma do seu jeito. Lugares inexplorados, lugares de cair o queixo que deixam as experiências marcadas para sempre. Um Brasil de verdade, um país que todo dia acorda em um mundo real e sai para trabalhar, consumir e prosperar. Somos quase 210 milhões, 27 estados, mais de 5 mil municípios de uma população miscigenada. Um povo hospitaleiro, divertido, alegre, gentil e honesto. Vi e vejo isso em todos os locais que visito, diferente dos estereótipos contrários que muitas vezes afirmamos. E nós de marketing copiando conceitos e fórmulas prontas, achando que entendemos de Brasil pelas notícias de jornais, televisões e portais. Pegue seu carro e circule Brasil a fora. Isso o tornará, tenho certeza, um melhor profissional, aliás, um melhor brasileiro. O fará compreender que temos um dos melhores países do mundo e ainda por fazer. Se jogue.


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